Dívidas pessoais atrapalham o desempenho profissional

17 jul Dívidas pessoais atrapalham o desempenho profissional

Pessoas com dificuldades financeiras não exercem as atividades profissionais em sua plenitude. Deixar os problemas pessoais do lado de fora da empresa funciona bem na teoria, muito pouco na prática. Se você já passou por alguma restrição financeira, acompanhou algum familiar endividado ou se deparou com profissionais da sua equipe com dificuldades financeiras percebeu algumas características como distração, irritabilidade, adoecimento físico, ausências, solicitação de adiantamentos, empréstimos e, nos casos mais graves, solicitação de demissão e acidentes de trabalho.

Com a expansão do microcrédito, a ascendência de classes sociais, o estímulo ao consumo e uma necessidade coletiva de satisfação imediata, as pessoas têm comprado com muito mais frequência e, geralmente, sem nenhum planejamento. Planejar é simples, basta fazer os cálculos de entrada e saída de dinheiro e respeitar o que os números mostram. Mas, como seres humanos não são apenas racionais, o aspecto emocional traduzido no querer e na insatisfação tem gerado uma legião de endividados.

As consequências são reveladas em cifras alarmantes. Em 2012 a inadimplência (pessoa física) chegou a 48 bilhões de reais. A primeira pergunta é “onde estão estes devedores?”. Nas empresas, instituições de ensino, comércio, etc., são profissionais que vivem angustiados com a própria situação financeira. A segunda pergunta é “alguém pressionado, angustiado, consegue desempenhar suas tarefas da melhor maneira?”. Sabemos que não, embora as pessoas reajam de forma diferente e o grau de preocupação possa variar, todos são afetados de um modo ou outro.

As empresas que já identificaram a influência da má gestão financeira pessoal na produtividade têm buscado soluções estratégicas, como a implementação de programas de educação. Um dos cases de maior sucesso no Brasil, é encontrado nas Empresas Randon. O grupo que conta com empresas figurando a lista das melhores para se trabalhar, incluiu desde 2006 cursos, livros, palestras e diversas ferramentas para combater as interferências do endividamento na produtividade. Segundo a coordenadora dos programas Márcia Gonçalves, os resultados são impressionantes “a mudança de comportamento dos funcionários é visível, pois passam a planejar, em sua maioria eliminam as dívidas e muitos começam a investir. Sempre pensando em inovação no ano de 2012 foi feito um projeto piloto em uma das unidades das Empresas Randon, onde na integração de novos funcionários foi inserida a palestra de saúde financeira. O resultado foi admirável, funcionários com menos de um ano de empresa não procuraram atendimento social solicitando ajuda para resolver problemas financeiros, como: pedido de empréstimo, adiantamento salarial ou solicitação de demissão por dificuldades financeiras. Deu tão certo que a partir de 2013 a palestra acontece para todos os funcionários que estão ingressando nas empresas. Antes mesmo de iniciar o trabalho o funcionário já encontra informação de como não entrar em dívidas”, revela Márcia.

O sucesso não é aleatório, um programa de educação financeira in company precisa respeitar a cultura e os objetivos da organização, mas principalmente, ter um sistema adequado para combater o problema e gerar resultados positivos. Após diversos anos de prática, estudos e acompanhamento de pesquisas em 2008 foi criado o Método STOP (Supere Bloqueios, Transforme perdas em ganhos, Organize suas finanças e Priorize bons investimentos) baseado na educação de adultos (andragogia).

Construído, testado e validado, o Método STOP já beneficiou milhares de pessoas motivando hábitos financeiros sustentáveis, ações empreendedoras e uma mudança estrutural: a transformação de endividados em investidores. Para finalizar, podemos refletir a partir dos dados divulgados pela FEBRABAN em que a expectativa para 2013 é uma expansão de crédito em 16%. Certamente, a expectativa dos empresários é que o crédito seja usado para gerar um aumento significativo na qualidade de vida dos profissionais, para que num efeito cascata, todos sejam beneficiados tornando o Brasil, cada vez mais, competente e competitivo. A educação financeira é uma ferramenta poderosa no aumento da produtividade e uma forte aliada do empreendedorismo.

Márcia Tolotti

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