Não tenho dinheiro, mas compro mesmo assim…

17 jul Não tenho dinheiro, mas compro mesmo assim…

“Eu sei, mas mesmo assim…” é uma das máximas mais elucidativas da psicanálise. O procedimento de saber que algo não deve ser feito, mas que mesmo assim é realizado, tem alguns desdobramentos.

Imagine, por exemplo, uma compra que vai ser realizada sem que você tenha dinheiro ou mesmo necessidade real daquilo. Dentro da loja, existe um momento em que a consciência envia um alerta de perigo, mas rapidamente é ignorado. Todos que não possuem condições sabem que não podem comprar, mas mesmo assim, muitos compram!

Inúmeras pessoas dirão que compram porque têm necessidade. Cabe fazer uma reflexão: É carência material, física ou de satisfação? Satisfazer uma vontade que em breve se tornará preocupação, pode ser muito mais do que uma compra por impulso. Quando uma aquisição se transforma em uma dívida fazendo com que a pessoa perca dinheiro pagando juros exorbitantes, ou que acabe com o sossego pela ansiedade do pagamento e a possibilidade de ter o “nome sujo”, a autopunição pode estar imperando. Isso mesmo, o sujeito pode estar submetido à necessidade de castigo.

Por mais contraditório que pareça, o ser humano faz coisas para se boicotar, se punir e se sacanear. Para quem duvida disso, basta reconhecer as atitudes que são maléficas, feitas pela própria pessoa, como por exemplo, dos fumantes que sabem dos riscos de saúde, dos jogadores que sabem das chances de falirem e dos drogados que buscam abreviar suas vidas. A chave não está nas atitudes, mas nas motivações. Obviamente, muitas dessas atitudes são inconscientes, ou seja, não são decisões deliberadas ou buscadas com prazer. Mas isso não torna as atitudes menos nocivas.

Por isso mesmo, se você está fazendo algo que lhe prejudica na área financeira, analise o porquê dessa atitude. E se não conseguir analisar sozinho, busque ajuda. Mas cuide para não comprometer sua vida financeira comprando artigos que lhe trarão uma breve satisfação, uma longa dívida e um eterno aprisionamento numa situação que lhe faz mal.

Márcia Tolotti

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