O impulso é lucrativo

17 jul O impulso é lucrativo

 “Se os fregueses de repente parassem de comprar por impulso: acredite toda nossa economia iria ruir. Para muitas lojas, as vendas complementares e de impulso significam a diferença entre lucro e prejuízo.” Tal afirmação é feita por um dos maiores pesquisadores e antropólogo do varejo, Paco Underhill. Portanto, é possível afirmar que o impulso é muito lucrativo, 0bviamente, não para o consumidor.

        Criador da Ciência do Consumo, Paco Underhill pesquisa com muito afinco o comportamento do consumidor. Diferentemente de um acadêmico que elabora, corrobora ou refuta teorias, ele vai a campo, segue, persegue e observa cada passo, cada minuto e cada gesto que uma pessoa faz dentro do estabelecimento ao qual ele e sua equipe – muito bem treinada – estão assessorando.

        Os olhos invisíveis são implacáveis: quantas peças você pegou; por quanto tempo as teve em suas mãos; se você utilizou uma ou as duas mãos para segurar a peça; qual era a cor, o tamanho, a marca; qual era a cor da roupa que você estava usando, sua aparência; o que você fez em seguida, comprou, devolveu? Chegou ao caixa para pagar e a fila estava grande demais, então você desistiu da compra!

         Fique atento, alguém poderá estar vigiando você. E esteja certo, ele não será um nerd, de óculos, com uma prancheta na mão escondido atrás de alguma planta, perseguindo descaradamente os clientes. O “observador” parecerá um inofensivo comprador, assim como qualquer cliente. Ficará ao seu lado, mas não perto demais, não o olhará diretamente e estará, aparentemente, envolvido com algum produto, suposto objeto de desejo dele. Mas, por que não percebemos nada disso?

        Simples, as pessoas estão tão envolvidas, correndo atrás do próprio objeto de “desejo”, imersas na solução de algum problema, iludindo-se que a compra irá ter um teor de salvação que nada mais é percebido. Seu campo visual, possivelmente, não irá registrar nada além da necessidade de alimentar a impulsividade. Alguém certamente irá agradecer, pois a absorção em si mesmo, a certeza de que a compulsão é um imperativo e a ilusão de que a felicidade ou o bem estar podem ser comprados são muito lucrativos. Resta saber, se realmente você está lucrando, financeira e afetivamente. Boa-escolha!

Márcia Tolotti

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