O longo prazo é cada vez mais curto

27 dez O longo prazo é cada vez mais curto

Um ano novo costuma ser acompanhado de muitas promessas de mudanças. Genuínos na intenção, os propósitos objetivam renovar planos antigos, criar hábitos novos e, principalmente, abandonar comportamentos prejudiciais. Algumas pessoas costumam escrever seus objetivos, o problema surge quando, ano após ano, alguns itens permanecem na lista, sem que sejam realizados. Mas, por que isso acontece? Por que as promessas feitas com tanto entusiasmo caem no esquecimento ou ficam apenas no papel e na vontade?

Mudanças são desafios, mas também são práticas e, toda prática requer investimento de tempo, energia, afeto e, por vezes, dinheiro. Como a sociedade contemporânea é marcada pela busca de satisfação constante, tudo o que não der retorno rápido, corre um grande risco de ser abandonado. O esforço para conquistar algo mais valioso, como uma ascensão profissional, um relacionamento amoroso saudável ou uma boa carteira com papéis rentáveis exige empenho constante, isto é, investimento de longo prazo.

Com a urgência característica da vida moderna, a noção de longo prazo parece não ser muito bem compreendida. Assim, investir alguns poucos meses pode ser considerado um tempo demasiado, e, não é. Embora o longo prazo, não deva ser “tão longo”, conforme sugere o especialista Jurandir Macedo, as grandes conquistas raramente são atingidas com pouco investimento, seja de tempo, de afeto, de empenho ou financeiro. É incrível como grande parte da humanidade comprova a lei do menor esforço, ou seja, quer receber muito sem dar quase nada.

Um bom exemplo pode ser encontrado nos relacionamentos amorosos, pessoas que investem pouco esperam ansiosas por um grande retorno, há uma espécie de lógica do lucro que se instaura. E, caso aquela aplicação – afetiva – esteja “caindo é hora de desfazer-se dela”. Estar caindo, significa em última instância estar gerando aflição, incomodo e todos buscam segurança. O lucro esperado num investimento amoroso é a segurança – felicidade, companheirismo, cumplicidade, desejo, etc., são traduções da segurança emocional.

Se homens e mulheres, ao investirem amorosamente buscam resolver seus problemas, esperam garantir segurança e exigem que isso aconteça no curto prazo, os investimentos financeiros serão tratados de forma muito diferente?

Um outro exemplo de curto prazo são as vontades. As vontades são instantâneas, voláteis e líquidas. Surgem e somem com muita rapidez, mas o ser humano buscou cristalizar aquilo que é passageiro, tentando satisfazer-se imediatamente – vive no curto prazo. Confundidas com desejos, ninguém mais tolera esperar, como se a espera fosse algo desprezível, e assim, conquistar um desejo virou um trabalho árduo e frustrante. Por sorte, muitas pessoas reconhecem o valor de uma conquista genuína e de um desejo real. Bons investimentos são frutos colhidos no tempo certo.

Porém, vivemos no hoje, não podemos apenas projetar o amanhã, e assim como é viável para um Day Trade obter ótimos rendimentos, também é possível conquistar bons investimentos no curto, tudo é uma questão de equilíbrio. Finalizando, vale lembrar que uma das urgências modernas é o consumo e para quem tem como objetivo ganhar mais e evitar o endividamento, uma das formas de obter êxito é abrir mão das vontades e se autorizar a conquistar desejos. E quando aparecer aquela gigantesca vontade de comprar? Pergunte-se: “é mais importante comprar ou construir e fortalecer a independência financeira?”. Afinal, conquistar a carta de alforria é um investimento de longo prazo. Desejo muita prosperidade e conquista dos bons desejos em 2017.

Márcia Tolotti

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