Viajar em meio a crise?

25 abr Viajar em meio a crise?

Entrevista para Revista Best Perfomance

1. O que mudou no comportamento do consumidor em relação a viagens nos últimos meses?

Márcia: a principal mudança se refere aos destinos. Os brasileiros estão explorando mais os destinos internos e viajando menos ao exterior. Embora a motivação não seja tão nobre – conhecer o Brasil em função da crise – o resultado parece agradar. O aumento significativo pelo turismo interno, tem sido responsável pela descoberta de lugares até então pouco conhecidos. Os lugares mais tradicionais continuam em alta, mas destinos até então pouco explorados, entraram no roteiro turísticos dos brasileiros. Vantagens?

O dinheiro circula e permanece no país. Parece ser uma grande demonstração de inteligência financeira.

2. Quais são as adequações que os viajantes estão fazendo no período que antecede a viagem para não deixar o turismo de lado?

Márcia: as agências de turismo têm sofrido com a crise. Aumentou o número de pessoas que organizam suas próprias viagens. Muitos, diminuem as “saídas” em suas cidades, para economizar e gastar mais durante as viagens, como uma troca: menos hoje para mais amanhã. Dependendo da distância a opção tem sido por deslocamento de carro e não avião e a própria escolha de acomodação tem mudado. Hostel ao invés de hotel e opções compartilhadas como AirBnB.

3. E durante o período da viagem?

Márcia: a opção por compras em supermercados para diminuir os gastos com alimentação. Outro aspecto foi a diminuição do número de dias que permanecem nos locais. A menor procura por pacotes locais, aumento do turismo exploratório e utilização de espaços públicos gratuitos. Todos os comportamentos se voltam para um aspecto interessante que é a “maleabilidade de ego”, o que isso significa?

Que a crise está nos tornando mais flexíveis, criativos e inteligentes. Estamos quebrando paradigmas e tendo novas experiências. Isso inclusive se reflete no âmbito profissional.

4. Existe uma mudança no comportamento dos executivos? Aumento de teleconferência, por exemplo, em vez de reuniões presenciais? Se sim, quais e por quê?

Márcia: houve uma queda nas viagens de executivos, uma reavaliação na quantidade de colaboradores que viajam, além da diminuição nos eventos e conferências ou congressos das organizações. Outro fator foi a diminuição na compra de passagens executivas e uma migração para classe econômica. Além disso, a lógica sharing economy está presente também nas viagens de negócios, através do compartilhamento de táxis, divisão de quartos de hotéis e translado. Por consequências as teleconferências aumentaram significativamente. As ferramentas de TI disponíveis permitem diversas alternativas, obviamente que o “olho no olho” é insubstituível, mas para negociações ou desenvolvimento de projetos já existentes, o contato presencial não é mais prioridade. Estamos aprendendo a trabalhar de forma diferente.

5. Qual é a importância da educação financeira em momentos de crise financeira?

Márcia: a crise econômica é o momento em que a educação financeira é “provada”. Quem já aplicava os ensinamentos básicos, sofreu com a crise, quem não aplicava, se desestruturou. Aquela parte do dinheiro destinada para imprevistos, insistentemente, repetida e encorajada como um dos passos determinantes da educação financeira é para ser utilizada em momentos como o que estamos passando. Veja bem, se as pessoas têm o que equivalente a pelo menos 6 meses dos seus gastos, se perderem emprego, não irão “falir”. Se a reserva para imprevistos estiver em construção, não irão “falir”. Se viverem com 10% menos daquilo que recebem, não irão “falir”.

A maior parte dos brasileiros estão enfrentado dificuldades sim, mas aqueles que possuem maturidade financeira estão exponencialmente melhores do que os imaturos financeiros. Se alguém ainda duvida da importância da educação financeira, não há momento melhor para desenvolver inteligência, observar os efeitos positivos de quem já havia feito o dever de casa e começar a implementar os passos básico de uma educação que protege não apenas nossas finanças, mas nossa saúde mental e emocional. Afinal, ninguém que está devendo, está muito feliz, não é mesmo?

6. Há mudanças nos viajantes durante a crise que deveriam perpetuar mesmo após a recuperação total da economia?

Márcia: se estamos nos tornando mais inteligente e utilizando os recursos de forma mais colaborativa e eficaz, por que não deveríamos continuar?

 

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