A Arte de Esquecer

A Arte de Esquecer é o título de um livro de autoria do médico e neurocientista Iván Izquierdo. O autor trabalha com os mecanismos da memória desde 1961, tendo escrito vários livros e mais de 500 trabalhos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais. Sem dúvida, é um dos mais respeitáveis especialistas em memória do mundo, atualmente, integra o Centro de Memória do Instituto de Biociências da Universidade do Rio Grande do Sul.

O esquecimento é normal? Tendo como uma das bases esse questionamento, o livro transmite numa linguagem acessível, os mistérios da memória e do próprio esquecimento.

Izquierdo defende que o esquecimento é absolutamente normal, inclusive, é necessário para que se mantenha a saúde mental . Muitos neurônios e sinapses são perdidos ao longo da vida. Nesses neurônios e sinapses podem residir memórias, consequentemente, esquecimentos irão ocorrer, nas palavras do autor: “talvez o esquecimento seja o aspecto mais predominante da memória.”

Quando afirma-se que a memória é seletiva, é justamente, em função de que coisas são perdidas, mas que muitas outras memórias são conservadas. O cérebro exerce uma verdadeira arte quando permite o esquecimento de algumas memórias.

As pessoas esquecem porque os mecanismos que formam e evocam as memórias são saturáveis, ou seja, é impossível guardar e lembrar tudo. Perde-se algumas memórias para “dar lugar a outras novas”, e também, para “poder pensar.” O livro prossegue demonstrando as formas de esquecimento, a distinção entre memória de curta e de longa duração, abrangendo a fisiologia da memória.

Por outro lado, o próprio autor aceita o aspecto emocional envolvido no processo seletivo da memória, isto é, não é por mero acaso que algumas memórias são conservadas e relembradas. Todos carregam memórias da infância que constituem marcas significantes. Uma das questões que a psicanálise porta é: por que certas memórias ecoam por toda a vida?

Márcia Tolotti

01 Comment

  1. 19 de outubro de 2016

    Rose Marchi

    Gostaria de ler esse livro.Por que certas memórias ecoam por toda a vida? Penso que as memórias que permanecem vivas durante a vida, são as que reiteradamente as trazemos de volta pela emoção dos fatos, pela saudade ou por repetir a história, tem coisas que a gente não deixa morrer. Nunca tive medo da morte, mas, do esquecimento, esse sempre me apavora.

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