Consumo Infantil

Consumo Infantil

Diversos especialistas realizam estudos ao redor do mundo mostrando o efeito do consumo no universo infantil. Muito além de um simples comprar algo ou não, o consumo tem transformado a essência das crianças, ou seja, ao invés do desenvolvimento infantil estar mais direcionado a criatividade e aquisição de experiências, o foco tem sido a quantidade de produtos adquiridos.

Comumente vemos crianças infelizes, se depreciando ou se desvalorizando porque não possuem o tênis, o celular ou o videogame da mesma marca que o amigo. A felicidade e o valor próprio parecem não mais pertencer ao interior das crianças, mas ao seu exterior. É uma forma de “terceirizar” a subjetividade do ser humano, certamente, é uma tentativa infrutífera.

Outro aspecto, no mínimo curioso, são os resultados de algumas pesquisas que mostram o poder do “fator amolação”, isto é, a força da teimosia. Nos EUA, 46% das compras para crianças e adolescentes são decorrentes da insistência. Vale ressaltar que o marketing pode potencializar algumas características nas crianças, tanto positivas quanto negativas. De forma subliminar, a birra é reforçada em algumas peças publicitárias por empresas que veem as crianças como meros consumidores, sem nenhuma preocupação ética com o desenvolvimento infantil. Por sorte, encontramos muitas empresas éticas.

Os pais são os responsáveis e decisores finais, porém podemos negar que os pais lutam contra uma indústria das mais poderosas que investe bilhões de dólares para tornar seus produtos atraentes e apetitosos? Com toda certeza não. Inclusive, os pais dos pequenos consumidores já foram categorizados e devidamente divididos entre: indulgentes, companheiros, conflitantes e necessidades básicas.

Os pais conflitantes são os mais propensos a cederem aos apelos dos filhos, geralmente são sozinhos ou divorciados e a culpa é a principal motivação. Infelizmente o marketing antiético sabe e usa isso.

O que os pais podem fazer? Não podemos afirmar com precisão o que pode funcionar ou não, mas podemos listar algumas experiências bem sucedidas. Entretanto, os pais conhecem seus filhos e poderão encontrar formas de evitar que as crianças sejam manipuladas e se tornem simples números estatísticos em um gráfico de pizza da categoria “consumidor infantil”. Todo o movimento de defesa aos filhos é válido e quando realizado com apoio da coletividade, se torna mais fácil e eficaz, portanto, seguem alguns caminhos:

  • Dar o velho e bom exemplo: se o padrão de consumo dos pais for descontrolado, nada do que disserem terá efeito. Mostrar que a gratificação ou a felicidade não está na compra é o primeiro e mais importante passo.
  • Refletir junto com a criança sobre a motivação real diante da vontade de comprar algo, ou seja, analisar com mais profundidade o significado ligado ao tênis, ao celular, etc…
  • Evitar a exposição demasiada da publicidade. Em média, uma criança assiste 40 mil comerciais por ano, somente na tv. Conversar sobre o marketing ético e antiético.
  • Incentivar atividades ligadas a natureza, as ações sociais, ao desenvolvimento da espiritualidade.
  • Preparar a criança antes de ir ao supermercado, negociar o que pode e o que não pode comprar.
  • Conversar com amigos, com os grupos aos quais participa sobre a comercialização na vida das crianças.
  • Incentivar a escola a adotar programas sobre a educação para o consumo.
  • Auxiliar estudos, pesquisas, fundações que tenham a preocupação em combater o consumismo infantil.

Márcia Tolotti