Menopausa não é sinônimo de velhice!

Mulheres em torno dos cinquenta anos enfrentam um rito de passagem, ou seja, a Menopausa. Vários estudos apontam fatores, influências, consequências desse período difícil. Encontrei um livro muito bom sobre o assunto, O Complexo de Jocasta, da psicanalista francesa Marie Christine Laznik.

A autora faz uma divisão entre a menopausa e o envelhecimento, confundido pela maioria das pessoas. A questão é que sempre estamos envelhecendo, pois o envelhecimento é um processo e não um período ou uma idade, mas compreendo o posicionamento da autora, ela pretende desvincular a ideia de que uma mulher deixa de ser mulher quando entra na menopausa.

Uma das principais marcas da menopausa é o fato da mulher não poder mais ter filhos. A maternidade é um símbolo de “potência” da mulher, ela pode até não querer ter filhos, mas pode tê-los. Com a chegada da menopausa é impossível engravidar. Ao mesmo tempo, o corpo da mulher começa a apresentar sinais de declínio, também irreversíveis.

Logicamente, todo esse processo tem seus equivalentes emocionais, ou seja, as mulheres precisam, a partir desse momento, ressignificarem seus lugares de mulher e de mãe. De mãe porque coincide com o momento em que os filhos saem de casa, é o famoso Ninho Vazio.

Igualmente, precisa ressignificar seu espaço enquanto mulher, propriamente dito, porque algumas começam a enfrentar o não tão famoso, mas crescente fenômeno, chamado Leito Vazio.

A mulher precisa encontrar no olhar de desejo do seu parceiro a garantia da imagem que tinha dela própria, é como se a mulher ficasse sem garantia de sua identidade feminina. Não significa que a mulher não tenha identidade feminina, mas a identidade é validada pelo olhar de um outro, que lhe assegure um lugar de desejada.

Outros autores mostram que a menopausa é uma espécie de falta de passaporte, de documentos que garantam que a mulher seja, efetivamente mulher e mãe, é uma espécie de despersonalização. Essa despersonalização parece começar no espelho quando a mulher não reconhece mais sua imagem e questiona quem é velha que ali a olha.

Se por um lado, o reconhecimento da menopausa pode ser visto como o momento em que a mulher não pode mais negar a mudança da sua imagem corporal, por outro lado, pode ser o momento em que “livre” de tantas obrigações concretas e emocionais ela pode se dedicar, finalmente, a algumas essências…

Márcia Tolotti