Gestão Financeira Pessoal x Produtividade

Educação Financeira in company, um diferencial competitivo

Gastos maiores que ganhos são comprovadamente fatores que interferem na produtividade e na qualidade de vida das pessoas. Cada vez mais, as organizações se deparam com as consequências do endividamento pessoal. Problemas de relacionamento profissional, absenteísmo, acidentes de trabalho, solicitações de adiantamento salarial, empréstimos consignados, pedidos de demissão, furtos, adoecimento físico, e por vezes, psíquico são alguns dos efeitos da má gestão financeira pessoal.

Estudos realizados, por exemplo, pela Virginia Tech University dos EUA mostram que funcionários com problemas financeiros apresentam os maiores índices de atrasos e faltas, além de utilizarem tempo e recursos das empresas para sanarem os problemas de endividamento pessoal. Outras pesquisas indicam que 70% da população vive esperando o próximo pagamento, sendo a primeira causa de stress no trabalho. A Reuters demonstra que cada funcionário com dificuldade financeira custa cerca de USD 7000 anuais às empresas, por não dedicarem tempo e atenção suficientes ao trabalho. O Brasil não fica atrás das estatísticas americanas, em pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas foi constatado que 67% dos funcionários apresentam um nível de estresse financeiro acima do adequado.

Portanto, negar a interferência da má gestão financeira pessoal diante da produtividade equivale a abrir mão de solucionar um sério problema. Empresas que implementam programas ou ações de educação financeira comprovam que os colaboradores podem mudar hábitos, rompendo com uma cultura de endividamento e absorvendo uma cultura de investimento. Palestras, cursos, capacitação de gestores, pesquisas, oficinas, jogos, livros são algumas das ferramentas possíveis de serem implementadas. Mas, não existe solução mágica, com experiência na implementação de programas de educação financeira in company desde 2006, constatamos que funcionários que participam dos treinamentos diminuem em até 60% o grau de endividamento, além de 20% passarem a investir. Portanto, há uma parcela de aproximadamente 40% dos colaboradores que não rompem com o processo de endividamento, por que? Porque gestão financeira pessoal não é fruto apenas de decisões racionais. As emoções e o aspecto psicológico são grandes propulsores de escolhas relacionadas ao dinheiro. Assim como empreendedores se relacionam, na maior parte do tempo, de forma positiva com o dinheiro, endividados são movidos pela autossabotagem (é claro que também encontramos empreendedores endividados).

Mais que um novo benefício, a capacitação da gestão financeira pessoal é uma forma de neutralizar as interferências negativas e garantir a produtividade em nível adequado. Empresários e executivos com visão estratégica, diante dos dados alarmantes tanto no Brasil quanto nos EUA começam a reconhecer que a educação financeira não é um modismo ou uma ação politicamente correta, e sim um diferencial competitivo.

Mas, se é possível comprovar a eficácia de ações voltadas à educação financeira, é fundamental reconhecer a importância das motivações – consciente e inconsciente – diante das escolhas. Quem não sabe que não pode gastar além daquilo que recebe? Por que milhares de pessoas não respeitam isso? Por que as pessoas se colocam em situação de risco financeiro? Considerar e abordar de forma adequada que a força e o poder do aspecto psicológico – emocional – diante das decisões financeiras é fator determinante para que qualquer ação tenha êxito.