O consumo que consome

O consumo que consome

No final do século 19, enquanto o Brasil se tornava uma república, as relações de consumo no mundo estavam focadas no produto. Embora não fosse o primeiro ciclo que o Brasil enfrentava – tivemos um largo comércio, principalmente, de escravos – a propaganda começava a ganhar força.

Com o fomento, e consequente aumento da demanda por consumo – sabemos que independe o produto, pois a insatisfação deixa espaço, para qualquer coisa, ser consumida a toda hora – o crédito foi igualmente, ganhando espaço. Da forma como o crédito começou que era o “fio do bigode”, “passando pela caderneta da padaria” até chegar ao “cartão de crédito”, algumas coisas mudaram, mas a maior diferença está no prazo de pagamento e nos juros que foram sendo incluídos. Mas, se o crédito está diretamente vinculado a algum grau de endividamento, todas as dívidas são ruins?

Certamente não e para esclarecer de modo prático a diferença entre uma dívida considerada boa e outra ruim, vamos utilizar os ensinamentos de Jon Hanson. O autor – e ex endividado – definiu as dívidas boas como as que geram um fluxo de caixa superior ao do custo da dívida e que aumentam o patrimônio. E, a dívida ruim como aquela em que os bens de consumo não duráveis são adquiridos e geralmente são motivadas pelas emoções.

Consumo

 

O que temos presenciado na sociedade contemporânea é a presença cada vez mais intensa do consumo por bens descartáveis, dado através de uma hipnose coletiva do consumo pelo consumo.

As dívidas são em sua grande maioria ruins pois o crédito não está sendo usado para aumentar patrimônio ou gerar novos negócios, e sim, para manter um padrão de vida acima das possibilidades reais.

Assim, endividar-se assumindo crédito sem a possibilidade de pagamento é, atualmente, uma prática banal, comum e, de certo modo, esperado. Infelizmente, é um consumo, que consome as pessoas em sua essência.

Aproveite para conferir o vídeo “Tenho dívidas, o que fazer?”

Márcia Tolotti

Márcia Tolotti é professora em MBAs, palestrante, colunista e escritora. Psicanalista pelo CEL e EEP (entidade vinculada à Associação Lacaniana Internacional); Graduada em psicologia, pós-graduada em psicologia clínica, pós- graduada em psicologia organizacional, exercendo desde 1993 atividades em sua clínica psicanalítica; Mestre em letras e cultura e MBA em Marketing pela FGV; Assessora e coordena a implementação de programas de educação financeira in company,desde 2006, em importantes empresas; Criadora do curso que apresenta o Método STOP (aliando fundamentos da economia, psicanálise, psicologia econômica e neuromarketing). Sócia executiva da Moddo Conhecimento Estratégico. Autora com mais de 50 mil exemplares vendidos. Escreveu “As Armadilhas do Consumo”, editora Campus; “Passageiros do Outono” e “Agricultura Lucrativa Familiar”, editora do Maneco, escreveu “O Desafio da Independência” após pesquisas e cursos ministrados em empresas, numa linguagem clara e acessível para pessoas que buscam construir planejamento financeiro.

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